sexta-feira, 25 de abril de 2014

Impactos no SUS relacionados ao esgotamento sanitário no Brasil

O Instituto Trata Brasil (ITB), por meio da pesquisadora Dra. Denise Kronemberger, elaborou um trabalho que relaciona o saneamento básico inadequado e as doenças.
Muito diferente do que algumas pesquisas da OMS, onde são apontados que a cada R$ 1 investido em saneamento, há economia de R$ 4 na área de saúde, a pesquisa elaborada pelo ITB estima que a cada R$ 1 investido em saneamento gera a economia de aproximadamente R$ 40 nos custos de internação por diarreia.
O gasto de internação das cinco melhores cidades x o gasto de internação das piores em saneamento variam bastante.



Mais uma vez "Ter ou não acesso a uma água de qualidade e um bom sistema de coleta e tratamento de 
esgotos faz toda a diferença para afastar estas doenças que sobrecarregam o sistema de saúde,
ocupam milhares de leitos hospitalares, afetam as crianças e as cidades como um todo."


domingo, 6 de abril de 2014

Elevatórias de sistemas de esgotos sanitários

Este texto foi elaborado por:
Diego de Oliveira Martins
Paula Duarte Sihcão Queiroz
Rune Siqueira Rocha Filho
Discentes do 4º ano do curso de Eng. Civil, UFMT, Barra do Garças


Resumo: Após sair da rede de esgoto doméstica o efluente deve seguir até a estação de tratamento, mas não sem antes passar por uma série de ramais residenciais e por tubulações maiores, até o interceptor de esgoto. Recebe  volume cada vez maior de resíduos sólidos e líquidos e, em alguns momentos, é necessário que haja o bombeamento desse conteúdo pela tubulação. Todas as vezes que por algum motivo não seja possível, sob o ponto de vista técnico e econômico, o escoamento dos esgotos pela ação da gravidade, é necessário o uso de elevatórias, para elevar o esgoto de um ponto para outra de cota normalmente mais elevada. Serão discutidos os principais tipos de bombas utilizadas nas estações elevatórias de esgoto. Neste artigo será abordado um estudo de caso a respeito do sistema de elevatórias de Araguari-MG, que incluirá discussões sobre os custos de operação e manutenção de estações elevatórias de esgoto.


Palavras chave: Estações elevatórias, esgotamento sanitário, saneamento básico, custo, estudo de caso.

Estação elevatória de esgoto (EEE)
Essas unidades de bombeamento são construídas para bombear a água e os resíduos de tubulações profundas, que exigem a necessidade de um equipamento para transpor essa profundidade, ou ainda quando existe baixa declividade ou porção elevada do terreno para assim permitir que a gravidade volte a atuar no transporte do esgoto até as estações onde será tratado.
Uma estação elevatória de esgoto também age na retirada de parte desses resíduos sólidos. Isso porque, em dado momento, a quantidade de sólidos atinge um volume capaz de provocar entupimentos e causar outros danos às tubulações. Por isso toda a rede de esgoto está equipada com dispositivos que permitem a retirada de sólidos do sistema.
A estação elevatória de esgoto deve ser equipada com dispositivos de pré-tratamento como grades, barras ou cestos. São normalmente operadas pelas próprias empresas de saneamento e têm outra importante função ligada ao meio ambiente. Em muitas situações elas são necessárias em áreas próximas a mananciais, impedindo a contaminação desses locais, além de desviar o curso do esgoto.

A elevação do esgoto pode ocorrer quando:

  • A profundidade do coletor é superior ao valor limite do projeto
  • Existe necessidade de a rede coletora transpor obstáculos naturais (como rio ou serra) ou artificiais (como avenida ou metrô);
  • O esgoto coletado necessita passar de uma bacia hidrográfica para outra;
  • O terreno não apresenta condições satisfatórias para assentamento da rede coletora, como áreas alagadas ou afloramentos rochosos;
  • Existe necessidade de elevação do esgoto coletado para unidade em cota mais elevada, como na chegada da estação de tratamento de esgoto ou da unidade de destino final.

São partes componentes da EEE:

  • Dispositivos de entrada;
  • Unidades de remoção de sólidos;
  • Medidor de vazão;
  • Poço úmido;
  • Conjunto motor e bomba e suas tubulações (sucção e recalque)
  • Poço seco.
As EEEs são utilizadas em condições técnicas que requerem condutos forçados, o que reflete nos custos de construção. Os processos inerentes são:
  • Aquisição de equipamentos;
  • Operação;
  • Consumo de energia;
  • Manutenção (reparos em equipamentos eletromecânicos);
  • Conservação e garantia de funcionamento do sistema;
  •  Possível desapropriação de área urbanizada.

O que se seguirá no texto será o comentário acerca das bombas mais comumente utilizadas nas estações elevatórias de esgoto.

Tipos de conjuntos moto-bombas para esgotamento sanitário

Bomba centrífuga 
É o equipamento mais utilizado para bombear líquidos. É utilizada no saneamento básico, na irrigação de lavouras, nos edifícios residenciais, na indústria em geral, elevando, pressurizando ou transferindo líquidos de um local para outro.

O rotor de uma bomba centrifuga é uma turbina que cede energia para o fluido à medida que este escoa continuamente pelo interior de suas palhetas. Embora a força centrífuga seja uma ação particular das forças de inércia, ela dá o nome a esta classe de bombas. A potência a ser fornecida é externa à bomba. A transferência de energia é efetuada  por um ou mais rotores que giram dentro do corpo da bomba, movimentando o fluido e transferindo a energia para este. A energia é em grande parte cedida sob a forma de energia cinética a esta pode ser convertida em energia de pressão.

O fluido entra na bomba por um bocal de sucção. Do bocal de sucção, o fluido é encaminhado a um ou mais rotores que cedem energia ao fluido, seguindo-se um dispositivo de conversão de energia cinética em energia potencial de pressão. O fluido sai da bomba pelo bocal de recalque, A energia cedida ao fluido se apresenta sob a forma de diferença de pressão entre a sucção e o recalque da bomba. Em função desta transferência de energia é que podemos elevar pressurizar ou transferir fluidos.

Tipo de bombas centrífuga

Bomba centrífuga vertical: As bombas centrífugas verticais são, em sua maioria, construídas com eixos na horizontal. As bombas verticais possuem rotor  instalado na extremidade inferior de um eixo prolongado e  mergulhado no fluido. Esta construção é conveniente quando, por exemplo, é desejado elevar água de um rio ou lago sem submergir o acionador, geralmente um motor elétrico que não suporta a imersão . Estas bombas verticais são destinadas à instalação em um poço inundado com água.

Bomba centrífuga multi estágios: Uma bomba centrífuga que contenha mais de um rotor é uma bomba centrífuga multi estágios. Cada estágio fornece ao fluido determinada energia, de modo a se adicionarem. Havendo necessidade de maior energia - mais pressão - aumenta-se número de rotores dispostos em série. Os rotores podem estar montados no mesmo eixo ou, mais raramente, em eixos distintos.

Bombas parafuso

As bombas parafuso são capazes de bombear a vazões e elevações específicas de forma contínua, e podem funcionar tanto com energia mecânica quanto manual. As bombas consistem em um parafuso instalado com inclinação de 30, 35, 38, ou 40 com a horizontal em uma canaleta de concreto ou calha metálica fornecida como parte integrante do equipamento.
O equipamento pode ser construído em aço inoxidável ou aço carbono. Esta máquina originalmente era constituída por um parafuso colocado dentro de um tubo cilíndrico oco. Pode ser vista como um plano inclinado envolvido por um cilindro. À medida que a extremidade inferior do tubo rotaciona, este arrasta  determinado volume de água, que, conforme o veio roda, vai deslizando para cima ao longo do parafuso até sair pela extremidade superior do tubo.

Ejetores pneumáticos

Os ejetores pneumáticos são bombas de pequena capacidade (2 a 20 l/s) para emprego em unidades independentes, principalmente para esgotamento de subsolos de edificações que se situam abaixo do nível da rede coletora externa de esgotos. O esgoto líquido penetra através da válvula inicial, enchendo a câmara de recepção. Quando a água residuária alcança o nível máximo, a válvula é aberta através do acionamento provocado pela boia, impulsionando ar comprimido fornecido por um compressor acoplado, forçando o líquido acumulado através da válvula final visto que neste movimento a válvula anterior a ela ficará fechada. Quando o nível mínimo é atingido, a posição da válvula inicial se inverte dando início a novo ciclo. Cada ciclo dura em média um minuto quando o ejetor trabalha com sua capacidade máxima.
Ejetores pneumáticos são viáveis para esgotamento de alturas manométricas de 3 a 15 metros e de vazões de até 20 l/s, pois vazões maiores consumem muita energia com baixos rendimentos, inferiores a 15%.




Rotores

Os rotores dos motores assíncronos são constituídos por conjuntos de condutores colocados em pacotes de lâminas de ferro com espessura de 0,5mm cada lâmina, isoladas entre si por uma camada superficial de óxido de ferro e providas de furos que fornecem ranhuras ou canais nos quais os condutores são colocados. Em geral possuem de 3 a 5 canais por pólo e por fase. Nos motores de grande potência empregam-se múltiplos pacotes com espessuras de 10 cm cada, para melhor refrigeração interna e redução do aquecimento de todo o equipamento.  
O rotor induzido pode ser dos tipos: bobinado ou em anéis e de gaiola ou em curto-circuito. Quando em cada ranhura são colocadas barras e estas barras são soldadas em suas extremidades a um anel de cobre, conectando-as em curto entre si, tem-se o rotor de gaiola. Neste caso o rotor não possui número de pólos próprios, mas o número do estator induzido por este. Estes anéis podem ser providos de aletas externas que substituem o ventilador, principalmente nos de pequena potência. Isto é um dos motivos do por quê dos motores com rotor em curto-circuito serem mais compactos e de operação mais simples.



Estudo de caso econômico e financeiro da cidade de Araguari MG

A cidade de Araguari, localizada no triângulo mineiro, estado de Minas Gerais, possui 101.974 (censo/2000) habitantes. Está numa altitude média de 922 metros, possui 2.732 Km² de área. Cerca de 90% da população é servida de redes coletoras de esgoto. A zona urbana está situada dentro de cinco bacias hidrográficas:

1. Bacia do Córrego Brejo Alegre – bacia principal, onde se concentra todo esgoto coletado e corta o centro da cidade, dividindo-a em norte e sul;
2. Bacia do Córrego dos Verdes;
3. Bacia do Córrego do Desamparo;
4. Bacia do Córrego das Araras;
5. Bacia do Córrego da Lagoa Seca;

A concepção do esgotamento sanitário é reverter todo esgoto coletado para a bacia do Córrego Brejo Alegre, que possui projeto para construção de uma estação de tratamento de esgoto. No ano 2000 existiam onze estações elevatórias de esgoto operando na cidade.

O primeiro levantamento feito pelos autores foi o custo de energia mensal. Foram contempladas as faturas de energia emitidas pela Cemig. A média dos 12 meses foi de R$ 1.260,47. O pico foi no mês de fevereiro (R$ 1.804,87) com medição entre 15 jan a 15 fev, logo, em período chuvoso. Enquanto que a menor fatura foi no mês de março (R$ 1.054,84).

O projeto padrão das estações existentes é de uma estação elevatória convencional de poço úmido com conjunto moto-bomba submerso. Todo o esgoto se concentra num PV (poço de visita) à montante da EEE.

Em seguida, o esgoto é recalcado até uma caixa de descompressão, localizada em cota adequada, que permitirá seu caminhamento por gravidade até os interceptores do Córrego Brejo Alegre.

Posteriormente foi observada a localização geográfica. Após a locação de cada estação no respectivo levantamento, foi verificado que todas as EEEs estavam em cotas elevadas das respectivas bacias hidrográficas, limitando inclusive o crescimento urbano ou o atendimento à população que reside em cotas mais baixas. Outro fato importante foi que em uma única bacia existem mais de uma estação. O maior número foi encontrado na bacia do Córrego dos Verdes, com quatro EEEs.

Em seguida foram observadas as manutenções ocorridas nessas EEEs. Entre os diversos serviços relacionados foram notados o entupimento da rede, problemas no conjunto moto-bomba, bóia, painel, entre outros.

Como solução para a manutenção: foi feito novo levantamento altimétrico da região e de acordo com o levantamento planialtimétrico foi possível diminuir para apenas quatro estações. No entanto, a sugestão é que sejam quatro novas EEEs, desativando as onze existentes. Duas estações foram extintas com a construção de um interceptor de esgoto. As nove restantes serão desativadas à medida que as novas estações (localizadas em cotas mais baixas) forem construídas.
O segundo passo foi a sugestão do desenvolvimento de um projeto novo para essas estações, observando os problemas levantados. Para isso, adota-se uma estação elevatória com poço seco e conjunto moto-bomba com eixo horizontal (motores com alto rendimento). A estrutura física possui duas células distintas, que permitem o rodízio operacional, revezando o funcionamento dos conjuntos e realizando manutenções preventivas.
O estudo econômico-financeiro realizado demonstrou que em 4,5 anos o investimento inicial para construção das novas estações será recuperado, desativando as estações existentes, levando em consideração as contas de energia e manutenções corretivas realizadas. O custo para implantação das novas estações gira em torno de R$ 130 mil (cada uma), totalizando o investimento final de R$ 520 mil.


Bibliografia


BORGES, K. L. 2003. Análise e redimensionamento das estações elevatórias de esgoto no município de Araguari-MG. VII Exposição de experiências municipais em saneamento. Assemae - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento.

PMSB. Plano de águas e ações do município de Joinville SC. Disponível em: <http://sistemaspmj.jo inville.sc.gov.br/documentos_vivacidade/1022-PMJ-PMS-RT-P008_R1_TOMO%20III.pdf>

NBR 9648 – Estudo de concepção de sistemas de esgoto sanitário. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Novembro/1986.

NBR 12.208 – Projeto de estações elevatórias de esgoto sanitário. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Abril/1992.

Pensamento verde e meio ambiente. Disponível em: <http:/ /www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente>.

CEDAE. Norma geral para projeto e construção de estações elevatórias de tratamento de esgoto. Disponível em: <http: //www.cedae.com.br/div/normacedaeelevatoriaesgoto.pdf>.



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Estações elevatórias: funcionamento e aplicações

ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS: FUNCIONAMENTO E APLICAÇÕES

BUENO, Jéssica Alves
COSTA JÚNIOR, Vandir Divino da
LIBÂNIO, Cássio Santos
MACHADO, Tatiane Ferreira
Discentes do 4º ano do curso de Eng. Civil, UFMT, Barra do Garças-MT


RESUMO

Este artigo visa estudar as aplicações e funcionamento de Estações Elevatórias sejam elas para aplicação em sistemas de água ou de esgotamento sanitário. 
As estações elevatórias são dispositivos fundamentais no que diz respeito à transposição de barreiras físicas com significativas diferenças de nível que não podem ser vencidas apenas com a força da gravidade. Baseiam-se em um sistema moto-bomba que fornece ao fluido transportado a carga necessária para transpor obstáculos.

Palavras-chave: Moto-bomba, elevatórias, esgoto


INTRODUÇÃO

Um dos componentes fundamentais para o funcionamento e implantação dos sistemas, sejam de esgotamento sanitário ou de fornecimento de água, são as estações elevatórias que por definição segundo a NBR 12.208 (1992) são instalações destinadas ao transporte de esgoto de nível do poço de sucção das bombas até o ponto do nível de descarga que se dá pelo acompanhamento das vazões do afluente. O componente principal do sistema é a bomba, responsável pelo fornecimento da carga necessária para que o sistema possa vencer os obstáculos. De modo geral, considera-se sua utilização apenas em casos últimos, por se tratar de um dispositivo de alto custo e que demanda considerável gasto de energia elétrica.

Objetivos e classificação das bombas

O principal objetivo da estação elevatória é transpor líquidos de pontos mais baixos para pontos mais elevados. Pode ser utilizada para diversas finalidades, entre elas pode-se destacar captação de água, tratamento de esgoto e dutos para fluidos.
As bombas são classificadas em duas classes principais: bombas volumétricas e turbo bombas. As bombas volumétricas são utilizadas somente quando as tubo bombas não conseguem atender as necessidades. São constituídas de câmara e órgão propulsor, que transmite energia de pressão ao líquido, fazendo-se a sucção da água. Um exemplo é a bomba tipo pistão. Já as turbobombas chamadas de bombas hidráulicas, possuem órgãos principais e auxiliares, que podem variar de acordo com o seu uso. Os órgãos principais são: rotor e difusor, órgão auxiliares: rolamentos, caixa de gaveta, acoplamentos, eixo, anéis de desgaste, base e outras. Os rotores podem ser fechados, semi-aberto ou aberto. Os fechados são utilizados para água tratada ou potável, os semi-abertos para água bruta sedimentada e os abertos para bombeamentos de águas residuais ou bruta de má qualidade.

Projeto de estações elevatórias

Para a determinação do local adequado à implantação da estação elevatória, devem ser levados em consideração os seguintes fatores, de importância ponderada em função das condições técnicas e econômicas de cada projeto:

a) desnível geométrico;
b) traçado da tubulação de recalque, conforme prescrições da NBR 12215;
c) desapropriação;
d) acessos permanentes para veículos de transporte;
e) proteção contra inundações e enxurradas;
f) estabilidade contra erosão;
g) atendimento das condições presentes e futuras;
h) disponibilidade de energia elétrica;
i) remanejamento de interferências;
j) métodos construtivos e obras para implantação de fundações e estruturas;
k) segurança contra assoreamento;
l) NPSH disponível;
m) possibilidade de carga para sucção positiva.

Deve ser fornecida a memória de cálculo do dimensionamento do conjunto motor bomba, contendo:
a) a determinação das vazões de projeto do sistema de bombeamento, levando-se em conta as condições operacionais do sistema de abastecimento. As vazões a recalcar devem ser determinadas a partir da concepção básica do sistema, conforme prescrito na NBR-12211;
b) o levantamento da curva característica do sistema de recalque;
c) o ponto de operação da bomba através de gráficos, apresentando a intersecção entre a curva característica da bomba ou a curva característica para uma associação de bombas e a curva característica do sistema de recalque;
d) os desenhos dimensionais de bombas e motores certificados, emitidos pelo fabricante e os respectivos manuais.

Devem ser especificados conjuntos motor bomba com as seguintes características:
a) tipo: centrífuga (radial);
b) com coletor em forma de caracol (voluta);
c) aspiração simples (unilateral) ou, preferencialmente, aspiração dupla (bilateral);
d) carcaça em ferro fundido partida radialmente ou partida axialmente, preferencialmente;
e) conexões flangeadas em conformidade com a ISO 2531 (NBR 7675), preferencialmente. O conjunto girante da bomba deve ser retirado sem desfazer as conexões com as tubulações;
f) rotor fechado;
g) quanto ao número de rotores: simples estágio, preferencialmente;
h) rotor em bronze, preferencialmente, ou em ferro fundido. Rotores em liga de
alumínio/silício somente poderão ser usados para bombas com potência igual ou inferior a 3 cv;
i) anéis de desgaste substituíveis em bronze, quando aplicável;
j) eixo em aço-carbono ou, preferencialmente, em aço inoxidável;
k) buchas do eixo em bronze, quando aplicável;
l) vedação por gaxetas ou selo mecânico;
m) mancais de rolamentos lubrificados a graxa. Os rolamentos devem ser protegidos por anéis de vedação para o eixo contra penetração de respingos procedentes da caixa de gaxetas;
n) quanto à disposição construtiva: horizontais ou verticais (in-line);
o) acoplamento, quando aplicável, do tipo flexível com elemento elástico de borracha e proteção mecânica contra contatos acidentais;
p) acionamento por motor elétrico trifásico, classe de isolamento “F”, fator de serviço 1,15, grau de proteção mínimo IP-55, de corrente alternada, com tensão nominal de 220 V ou 440 V, com dimensões de fixação e potências nominais em atendimento ao disposto na norma NBR 5432. Os motores com potência acima de 50 cv devem ser do tipo alto rendimento;
q) número de rotações em torno de 1750 ou 3500 rpm;
r) bomba com curva característica do tipo estável.

As bombas devem ser colocadas com o motor elétrico voltado para fora da unidade ou para via de acesso, com a finalidade de simplificar a remoção do mesmo e deve estar a uma distancia mínima de 1m de qualquer obstáculo, seja parede ou não.
Deve ser fornecida a memória de cálculo da tubulação, contendo:
a) dimensionamento do diâmetro das tubulações em função das velocidades máximas e mínimas recomendadas, das perdas de carga e de critérios econômicos;
b) cálculo da espessura da parede dos tubos em função do diâmetro, pressão do fluido, tensão admissível do material e golpe de aríete.

As plantas de tubulação devem ser desenhos feitos em escala, contendo o traçado das tubulações, representadas em projeção horizontal, com a indicação dos respectivos diâmetros. As válvulas e acessórios de tubulação devem ser representados. Nas plantas de tubulação devem figurar as elevações de todas as tubulações e as distâncias entre tubos paralelos e todas as cotas importantes da tubulação.

Além de todas as tubulações com válvulas e acessórios, esses desenhos devem também mostrar o seguinte:
a) todos os suportes de tubulação;
b) todas as bombas e os respectivos motores, com a indicação do desenho de contorno das bases dos mesmos;
c) planta baixa da estação elevatória, indicando: portas, janelas, aberturas para ventilação, linha de centro da monovia e outros elementos que se fizerem necessários;
d) relação de peças das tubulações com as respectivas especificações;
e) desenhos de projeção vertical (cortes).

Os tubos devem ser de aço-carbono segundo a norma NBR 9797, projetado para ter uma sobre-espessura para corrosão de 1,2 mm e extremidades com pontas chanfradas para solda de topo. Podem ainda ser utilizados os tubos de aço-carbono que atendam as normas NBR 5590 (ASTM A-53) ou NBR 6321 (ASTM A-106). Não devem ser utilizados tubos de ferro fundido no interior da estação elevatória.

Antes de ser iniciada a montagem de qualquer sistema de tubulações todas as bombas devem já estar instaladas sobre as suas bases. Todas as bombas devem ter bases próprias, não se admitindo que fiquem penduradas ou  suportadas pelas tubulações. Na montagem de tubulações é necessário que seja observado com o maior rigor possível o alinhamento entre as varas de tubo e as peças pré-montadas. Não é permitido que, durante a montagem, se tenha tubos ou outras peças em posição não suportada, fazendo peso ou introduzindo momentos sobre flanges de bombas. Não é permitido que se corrija desalinhamentos entre flanges através do emprego de parafusos.

Depois do aperto concluído, as porcas devem ficar completamente roscadas no corpo dos parafusos, e os estojos devem ficar com extremidades de igual comprimento sobressaindo nas porcas. Depois de terminada a montagem deve-se fazer a limpeza interna completa das tubulações, observando-se os possíveis depósitos de detritos nas sedes das válvulas e interior dos rotores de bombas, e a desinfecção usando compostos clorados em conformidade com a norma NBR 10156.

Quanto às condições gerais para o projeto devem ser fornecidos desenhos da arquitetura e urbanismo; instalação hidráulica; das fundações e superestrutura dimensionadas conforme as normas NBR 6122 e NBR 6118; das instalações elétricas de força e iluminação, dimensionadas conforme as normas NBR 1039 e NBR 5410.
A sala de bombas deve abrigar os conjuntos elevatórios, incluindo os elementos de montagem, hidráulicos e eletromecânicos complementares, os dispositivos de serviço para manobra e movimentação das unidades, em como permitir facilidade de locomoção, manutenção, montagem, desmontagem, entrada e saída de equipamentos. E o seu acesso deve estar situado acima da cota de máxima enchente para não comprometer a operação.

O piso da sala de bombas deve contar cota máxima possível, visando à drenagem por gravidade de água oriunda de grandes vazamentos, ou em casos em que o piso fica situado abaixo do nível da água do poço de sucção, o assentamento das bombas deve ser feito como para instalação sujeita a alagamentos.

Quanto ao bloco de fundação para o conjunto motor bomba, este deve ter altura mínima sobre o piso acabado de 0,3m e construído com traço de 1:2: quatro (cimento-areia-pedra britada) e armado em todos os sentidos, e possuir massa de pelo menos 5 vezes a massa do conjunto motor bomba. Entre a superfície de contato da base metálica com o bloco de fundação devem ser colocadas, ao lado dos chumbadores, placas metálicas de mesma espessura para apoio da base, sendo fixadas com argamassa junto aos chumbadores.

As alvenarias devem ser de blocos cerâmicos furados ou blocos de concreto e recomenda-se que as primeiras 3 fiadas de tijolos sejam mergulhadas em emulsão asfáltica e só após a secagem seja feito o assentamento, isto serve para evitar que a água do solo suba por capilaridade. É aconselhável utilizar argamassa utilizar argamassa pré-fabricada. A espessura da parede deve ser de 15 cm.

Estudo de caso: Implantação de elevatórias em Aragarças, GO.

Em cidades em que existe a coleta de esgoto, estima-se que em torno de 80% do consumo de água em uma residência passa a ser coletado pela rede. Assim, quase todo o volume de esgoto captado em uma rede é constituído em sua maioria por água e apenas uma pequena fração se constitui de resíduos sólidos.

A estação de tratamento faz-se necessário mesmo em municípios pequenos com redes coletoras de pequeno porte, como o município de Aragarças, no estado de Goiás, localizado a aproximadamente 430 km da capital Goiânia, onde se iniciou a implantação de uma estação de tratamento de esgoto que tem como previsão atender os diversos bairros da região, com estimativa de crescimento para os próximos anos. Assim esta rede que atende todo o município é constituída por diversos canais, ou seja, uma rede canalizada que por gravidade destina todo o resíduo até a estação de tratamento.

Para o município em questão, foram necessárias a implantação de 4 estações elevatórias para diferentes pontos da cidade, principalmente nos setores mais próximos as margens do rio Araguaia, que forma a divisa do município com o estado de Mato Grosso. Juntas formam um sistema integrado capaz de conduzir todos os resíduos gerados até a estação de tratamento que se encontra numa das partes mais altas da cidade. Para a condição apresentada pelo relevo local, uma região de planícies devido a existência de curso d’água, tornou-se indispensável a implantação das estações elevatórias. A implantação das mesmas se foi dividida em dois diferentes sistemas seguindo a orientação imposta pela avenida principal. A seu lado esquerdo duas delas conduzem o fluido das edificações as margens do rio ou próximas a ela até uma malha única e nelas é fornecida a carga necessária para que todo o esgoto chegue até seu destino final e para o lado direito o funcionamento segue o mesmo padrão.

Considerações

É inegável a importância da implantação de estações elevatórias em casos em que a diferença de nível se torna um obstáculo, entretanto para todos os casos se é conveniente o estudo prévio que de fato constate a implantação dessas sistemas em sistemas de esgoto, caso onde seu uso é mais considerado, pois esses dispositivos demandam altos investimentos bem como atenção no que diz respeito a seu funcionamento e manutenção.


Referências bibliográficas

Recesa. 2008. Esgotamento Sanitário - Operação e manutenção de estações elevatórias de esgoto. Disponível em: <http://nucase.desa.ufmg.br/wp-content/uploads/2013/07/ES-OMEE.1.pdf>. Acesso em: 21/03/2014.

Pensamento Verde. Como funciona uma estação elevatória de esgoto? Disponível em: < http://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/como-funciona-uma-estacao-elevatoria-de-esgoto/>. Acesso em 21/03/2014.

OLIVEIRA, I. Técnicas de regado. Cap. 08 – Estações Elevatórias. Disponível em: <http://www.tecnicasderegadio.info/index.php/principios-de-hidraulica/cap8-estacoes-elevatorias>. Acesso em: 21/03/2014.

CEDAE. Norma geral para projeto e construção de estações elevatórias de água. Disponível em: < http://www.cedae.com.br/div/normacedaeelevatoriaagua.pdf>. Acesso em: 21/03/2014.

CARMO JÚNIOR, G. N. R. C. Elevatórias de Esgoto Sanitário. Disponível em: <http://www.engenhariaambiental.unir.br/admin/prof/arq/SE_aula%209_2010.pdf>. Acesso em: 21/03/2014.